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A SERRA DA ESTRELA


O planalto

Fazendo parte da Cordilheira Central Ibérica, a Serra da Estrela é um imenso planalto que culmina a 1993 metros de altitude, sendo constituída essencialmente por granito com manchas de xisto. Principal divisor de águas do país, ela separa as bacias do Douro, Tejo e Mondego. As nítidas marcas de erosão glaciária e a vegetação característica do planalto central dão à Estrela uma expressão única no espaço montanhoso português.
A Torre
No local designado por Malhão da Estrela, a 1993 m de altitude, o então príncipe regente e futuro rei D. João V, mandou erguer, em 1806, uma pirâmide, entretanto destruída, que originou a designação de Torre. O marco geodésico actualmente existente "confere" à Estrela a altitude de 2000 m, o ponto mais alto de Portugal continental.


A glaciação

Durante a época Quaternária toda a região foi objecto da acção dos gelos que, uma vez desaparecidos, deixaram marcas inconfundíveis que hoje dão por estranhos nomes: vales em U, covões e moreias, blocos erráticos, rochas poli­das, para além de várias lagoas de origem glaciária.
A rede hidrográfica
Nascentes e fios de água, bem como inúmeras linhas de água de carácter torrencial, abundantemente alimentados por águas carregadas pelos ventos húmidos de oeste, multiplicam-se pelo interior do maciço, fazendo do mesmo o grande castelo de água das Beiras. Três importantes rios portugueses, o Mondego, o Zêzere e o Alva, nascem na Serra da Estrela

A fauna

Acima dos 1500 m de altitude, é vulgar poder observar-se uma espécie endémica da nossa herpetofauna, a lagartixa-de­montanha, sendo a Estrela o único local do território português em que a mesma foi referenciada.
A fauna, para além de ser de difícil observação, reflecte as transformações por que a serra tem passado. Por exemplo, o lobo, actualmente, pertence mais ao imaginário do que à realidade da Estrela.
Reserva Biogenética

O Comité Director para a Protecção e Gestão do Ambiente e Meio Natural do Conselho da Europa, na sua 8ª reunião, realizada em Estrasburgo em Março de 1993, integrou o Planalto Superior da Estrela na Rede Europeia de Reservas Biogenéticas.
Trata-se de uma área com uma superfície de 10.610 ha cujo núcleo central  - 5.465 ha  - alberga as espécies florísticas e faunísticas de maior interesse. A área da Reserva Biogenética abrangem as freguesias de Loriga, Valezim, Lapa dos Dinheiros, Sabugueiro, Mangualde da Serra, S. Pedro (Manteigas), Unhais-da-Serra e Alvôco da Serra.

A flora

A vegetação acompanha a altitude, a natureza do solo e a exposição do terreno às variações climáticas. O modo como se distribui permite, grosso modo, reparti-la por três andares altitudinais: superior, intermédio e andar basal.
» O primeiro, apesar da aparente nudez que a serra ostenta, qualquer incursão no seu interior põe-nos em confronto com a variedade vegetal por entre rochedos, em profundos covões ou extensos vales, os solos de turfa acolhem associações de espécies vegetais, próprias das zonas frias, com destaque para os cervunais (cervum Nardus stizcta L.)que serve de alimento ao gado no decorrer dos meses de verão e para o zimbro.
» O segundo, domínio por excelência do Carvalho negral. Os carvalhais constituíam as formações vegetais que cobriam as encostas do andar intermédio da Serra da Estrela. Actualmente, devido à intensa actividade humana ocorrida ao longo dos tempos, apenas persistem vestígios das comunidades primitivas.
» O terceiro, é o lugar por excelência da vida agrícola. No entanto, em diversas zonas da montanha por ausência de actividade humana, as áreas outrora ocupadas por floresta tornaram­se, progressivamente, extensos campos de mato com destaque para os giestais e urzais, para além de um importante cortejo de espécies associadas. Estas zonas de mato são tidas, do ponto de vista florístico, como das mais ricas da Europa.

Associação de Artesãos da Serra da Estrela (c) 2007       info@aasestrela.com                          Ideias Soberbas, Lda.