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Ocupação humana

No essencial, a ocupação da Estrela remonta ao período medieval,
se bem que sejam detectáveis influências anteriores,
nomeadamente romanas, árabes e visigóticas. Todas as povoações,
actualmente existentes, já eram conhecidas no século XVI,
tendo-se assistido, posteriormente, um pouco por toda a parte,
nas zonas de menor altitude, ao disseminar de lugares, quintas e
casais. A estrutura municipal de então, com ligeiras variações,
foi a que permaneceu até aos nossos dias.
O povoamento da serra é essencialmente periférico,
localizando-se as principais aglomerações entre a zona de meia
encosta e o sopé da montanha, com excepção de Manteigas, no
interior do maciço, e do Sabugueiro, junto ao Alva. Esta aldeia,
juntamente com Videmonte, Folgosinho, Trinta e Maçainhas, para
além das estâncias das Penhas Douradas e das Penhas da Saúde,
são a única presença humana permanente acima dos 900 m de
altitude.
Actividades económicas

O pastoreio, a agricultura de montanha e os têxteis foram as
actividades tradicionais mais responsáveis pela transformação da
paisagem natural da Serra da Estrela. Aqui, a presença humana é
uma constante.
a pastorícia
Atendendo ao acidentado do seu relevo e à natureza do coberto
vegetal, com especial relevância para os prados de altitude,
a Serra da Estrela foi, ao longo dos séculos, a "mais pastoril"
dentre as zonas montanhosas de Portugal. Milhares de cabeças de
gado ovino e caprino subiam todos os anos das terras baixas,
assim libertas para as culturas de verão, para as pastagens
situadas nas zonas mais elevadas. Este movimento transumante
estival cessou devido às modernas técnicas de exploração mas,
dispersos por todo o planalto, encontram-se numerosos vestígios
dessa prática ancestral.
a ovelha Bordaleira
Na Estrela desenvolveu-se uma raça de ovinos perfeitamente
definida - BORDALEIRA SERRA DA ESTRELA - destacando-se das suas
características, consagradas no Livro Genealógico, as variedades
preta e branca, os olhos grandes e expressivos e os cornos em
ambos os sexos, enrolados em espiral.
É a raça nacional de melhor aptidão leiteira, atingindo-se
produções superiores a 500 litros de leite por lactação (220
dias/média). É também muito prolifera e fértil, com um período
de actividade sexual que se alarga por todo o ano, sendo contudo
a cobrição natural durante a Primavera.
o cão da Serra da Estrela
Também esta raça de cães é o resultado de uma tradição artesanal
de preservação genética, sendo considerada como uma das raças
caninas mais genuínas e antigas de toda a Península Ibérica.
O porte altivo, a estatura elevada, o aspecto sólido e o pêlo
espesso, curto ou comprido, a oscilar entre o castanho muito
escuro, no focinho e nas orelhas, e o castanho quase dourado no
dorso, dá-lhe uma excelente aparência.
De comportamento dócil em relação ao dono, inteligência nas
funções, bravura na luta com animais selvagens, como o lobo,
tornou-o guardador nato de rebanhos. A larga coleira de ferro,
crivada de puas, que muitos ainda usam, reflecte todo um passado
de luta com o lobo.
Hoje em dia -
este animal, é muito apreciado como cão de guarda por irradiar
calma e, simultaneamente, a impôr respeito a estranhos
Usos
e costumes

São
usos, costumes e tradições que, tal como o artesanato, sublinham
a genuínidade do mundo rural da Serra da Estrela
a começar no fato dos pastores, feito com a lã das ovelhas, em
preto ou amarelo torrado, ou em castanho de serrobeco. Ao
escutar o tilintar dos rebanhos, ou as notas estridentes do
pífaro do pegureiro e o ladrar roufenho do corpulento cão Serra
da Estrela quando algum estranho se aproxima.
Ao descer à aldeia sabendo que todas as terras têm, quase sempre
no Verão, as festas da sua Padroeira, cuidadosamente preparadas
pelos "mordomos". Podem ver-se os andores, as procissões,
o foguetório, a banda da música e as delícias festivas: as
cavacas, o queijo, as febras de porco à moda da Feira, o
presunto e os enchidos.
No S. Martinho, em Novembro, há a tradição de matar o porquinho
e provar o vinho.
Quando se celebra o Natal, o Ano Novo e os Reis ouve-se cantar
as Janeiras, de porta em porta
Depois, quando os campos já cheiram a alecrim e rosmaninho, e
depois de cantadas as "ladaínhas"
da Páscoa, os rebanhos descem às aldeias ou à N. Srª de
Assedace e dão três voltas à Igreja para afugentar o "mau
olhado".
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