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O artesanato alimentar engloba algumas das produções
tradicionais mais conhecidas e apreciadas de toda a Serra da
Estrela. São
os sabores salutares de uma Serra a cintilar de delícias, onde
tudo continua a nascer puro e natural: o Leite e o Queijo da
Serra, a Castanha e o Centeio para o pão, o "Borrego de
Canastra", o Cabrito e as Trutas, ou o Milho amarelo para a
broa.
Eis
alguns dos produtos característicos da região:
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Os Enchidos
Também o presunto, os enchidos, e nestes, as
morcelas, as farinheiras e o chouriço, são outras recordações
apetitosas que se deve ter em casa. |
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O
Requeijão
Nasce do soro que escorre da francela, durante
a confecção do queijo. Este soro é, de seguida, aquecido até ao
ponto próximo da ebulição e, seguidamente, arrefecido à temperatura
ambiente, transformando-se numa massa pastosa e branca como a neve.
Depois, é colocada em pequenos açafates de verga fina de castanheiro
até que perca todo o líquido restante, tornando-se, finalmente, mais
consistente. Ao seu sabor fresco juntam-se propriedades terapêuticas
derivadas do seu alto poder nutritivo. Tal como o queijo, é feito em
queijarias artesanais certificadas que se encontram ao longo de toda
a Serra.
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O
Queijo
O
queijo da Serra da Estrela tem uma forma arredondada, boleada e pesa
entre um a dois quilos. O seu interior é constituído por uma
pasta semi-mole e amanteigada com um sabor muito próprio que
reflecte a variedade das pastagens naturais da montanha. É
fabricado com leite estreme de ovelha através dum coagulante vegetal
Cynara cardunculus, L. (cardo), merecendo cuidados especiais o
controle da temperatura e a prensagem. Durante a cura requer atenta
vigília, viragens hábeis e sucessivas lavagens, para que ao fim de
cerca de 40 dias mostre todo o seu sabor. Tem uma época de
fabrico relativamente curta que decorre nos meses frios e húmidos
entre o Outono, bem entrado, e a Primavera. As feiras de Queijo
decorrem na Região entre os meses de Novembro e meados de Abril,
começando pouco antes do nascer do sol, cerca das 7H00, e terminando
quase sempre às 11H00 da manhã. Actualmente, a sua produção é
realizada em queijarias devidamente certificadas.
Utensílios utilizados na sua produção
Ferrada, cântaro, pote de barro, moedor de
cardo, francela e acincho, cardeira e escumadeira são os utensílios
tradicionalmente usados no fabrico de queijo.
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O Pão e a broa
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Os
Vinhos
Os vinhos brancos ou tintos, são os do Dão - Sub
Região da Serra da Estrela. A Região demarcada do Dão foi criada em 1907
e desde então a evolução científica dos vinhos, dos encepamentos e dos
processos de vinificação não tem parado.
Clima
O Planalto Beirão e toda a encosta noroeste da
Serra da Estrela formam uma unidade geográfica assente no granito,
protegida da continentalidade ibérica e beneficiada com a condensação
das massas de ar marítimas. As chuvas que ocorrem na região
produzem a desagregação do granito e criam solos com uma estreita camada
arável que permite boa drenagem de águas fluviais, o livre crescimento
das raízes das videiras e o escoar das argilas, assegurando a contínua
acidez dos solos e garantindo as melhores terras para a vinha, nas
encostas suaves da Serra e dos pequenos vales, entre os 400 e os 700
metros de altitude.
Origens
Segundo pesquisas paleoetnobotânicas realizadas
nas turfeiras da Lagoa Comprida da Serra da Estrela, foi aqui descoberto
pólen de videira com cerca de 5.000 anos, no entanto o desenvolvimento
da viticultura só se teria iniciado no séc. IV a.C. durante a presença
dos Fenícios, Gregos, Fócios e Cartagineses, e de uma forma regular após
a ocupação romana. Desses tempos, junto a alguns dos locais mais
adequados à cultura da vinha, encontram-se lagaretas escavadas no
granito. Com a reconquista cristã os monges agrícolas difundiram as
práticas eruditas da cultura da vinha e é a partir do início da Expansão
Marítima Portuguesa no séc. XV que os vinhos do Dão afirmaram a sua
qualidade.
Caracterização
Hoje, os vinhos do Dão - Sub Região da Serra da
Estrela são vinhos encorpados, quentes e aveludados, cheios de robustez
e longevidade, ricos de cor e acidez volátil que provam nos seus 11,5 a
13 graus na "lágrima" que deixam no copo. Os vinhos brancos são
aromáticos menos alcoólicos que os tintos, mas igualmente robustos e
consistentes. |
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Os Digestivos
Há, também, digestivos como as aguardentes
de mel e de zimbro e a jeropiga. Em alternativa, tem ao seu
dispôr a água da Serra da Estrela ou um chá de carqueja. |
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